Novos MoU (Memorandos de Entendimentos) foram assinados pelo grupo Rafale com empresas belgas relacionados a venda do caça Rafale.

O presidente e diretor executivo da Dassault Aviation, Éric Trappier, assinou no dia 13 de fevereiro, em nome do GIE Rafale International, 13 acordos de cooperação com fabricantes belgas como parte da proposta de parceria estratégica franco-belga para aeronaves de combate.

Estes acordos, além dos já assinados, trazem para mais de 30 o número de documentos contratuais com a indústria belga, cobrindo uma ampla gama de áreas que vão desde a manutenção do avião de combate Rafale até o treinamento de engenharia aeronáutica, incluindo a participação em projetos de drones, automação de linha de produção, fabricação de aditivos, manutenção preventiva, simulação, pesquisa de materiais avançados e projetos de Smart City

Durante a cerimônia de assinatura que reuniu os líderes de mais de uma dúzia de empresas, incluindo Sabca, Safran Aero Booster, Thales Belgium, Asco, Esterline, Flying Group, DronePort, ie-net, JDC Innovation, AKKA Belgium, Amia Systems, Ilias e Alt-F1, Éric Trappier explicou que esses acordos seriam seguidos por dezenas de outros acordos similares para atingir os objetivos que a indústria aeroespacial francesa estabeleceu para retornos industriais e sociais relacionados com a oferta para a substituição do avião de combate F-16 da Bélgica pelo caça francês Rafale.

Em frente aos representantes das grandes associações industriais belgas (Agoria, Flag, BSDI, Ewa, Bag), o presidente da Dassault Aviation reafirmou as principais linhas deste compromisso:

  • identificação de 100 novos e estruturados projetos de cooperação envolvendo empresas em fase iniciais, pequenas e médias empresas, grupos industriais, o mundo acadêmico e as autoridades locais;
  • criação, em cooperação com as autoridades intermunicipais, de iniciativas e projetos da “Cidade Inteligente” com foco no desenvolvimento urbano e interurbano;
  • criação de dois centros de pesquisa em Flandres no campo da fabricação de aditivos e da interface máquina humana, e em Wallonia no campo da simulação numérica e dos materiais avançados;
  • criação em Bruxelas de um centro de inovação no domínio da manutenção preventiva;
  • criação em Flandres de um centro de manutenção RAFALE (MRO) em torno de um consórcio industrial;
  • criação em Wallonia de um centro de excelência industrial em análise e processamento de imagens e um centro de excelência industrial de segurança cibernética.
A Bélgica quer substituir seus F-16 e a França oferece o caça Dassault Rafale.

Além dos 800 milhões de euros das encomendas anuais vigentes para a Bélgica que seriam prorrogados por pelo menos 20 anos no caso de a Bélgica ter adquirido 34 caças Rafale, a Dassault Aviation, Thales e Safran estão empenhados em avaliar retornos econômicos e sociais pelo menos 100% do investimento da Bélgica no programa de substituição dos F-16.

Assim, o objetivo geral da Dassault Aviation e seus parceiros é agora um retorno industrial e societário para a Bélgica, avaliado em pelo menos € 20 bilhões em 20 anos. A repartição leva em conta o peso econômico das regiões belgas. No total, seriam suportados mais de 5.000 empregos de alta tecnologia.

“Estes compromissos destinam-se a consolidar e formalizar, em coerência com as discussões intergovernamentais sobre a construção de uma parceria estratégica franco-belga em aviação de combate e, em particular, a substituição dos F-16 do Componente Aéreo do Exército belga pelo Rafale. Esta abordagem enquadra-se inequivocamente no quadro da construção de uma Europa de Defesa e da sua autonomia estratégica. A nossa determinação em cumprir os nossos objectivos em termos de parcerias econômicas e sociais em áreas de alta tecnologia é oferecer uma solução sustentável para a Bélgica”, afirmou Eric Trappier.

O Rafale International é um Grupo de Interesse Econômico (G.I.E) formado pela Dassault Aviation, Safran Aircraft Engines e Thales para promover o jato de combate Rafale para clientes internacionais. Com mais de 140 mil funcionários e um volume de negócios anual de mais de 30 bilhões de euros, os três parceiros são os principais atores nos campos da aeronáutica e da defesa.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Tudo isso é para tentar empurrar o Rafale goela abaixo dos belgas tal como se tentou fazer aqui em banânia com aquela conversa mole de "transferênfia di tequinulugia" e " parceria estratégica"? Agora mandar um resposta ao RFP emitido pela força aérea belga, que é o procedimento correto à luz dos dispositivos legais, nada…

    Pelo visto lidar com brasileiros e indianos deixou a Dassault viciada…

  2. Parece que deve emplacar esta proposta da Dassault, não são só promessas, são acordos assinados e estas empresas devem pressionar o governo, a SABCA que vai dar a manutenção hoje é da Dassault e faz modernização e manutenção dos F-16 da Belgica.

    • A Dassault assinou um monte de acordos com empresas aqui do Brasil e felizmente não deu nada em que pese ter sido a escolha "política-etílica" do heptarréu já condenado em segunda instância (por 3×0 diga-se de passagem)

      De igual forma a Airbus assinou um monte de acordos com "fornecedores" da apertaparafusobrás mas a kombi continua a ser apenas aparafusada por aqui..

      No mais, se o governo belga ignorar o próprio RFP que lançou e embarcar no embuste francês, vai se nivelar às piores república bananeiro-bolivarianas.

  3. Toda essa pressão política para mitigar a superioridade técnica da proposta F35. No entanto, não será suficiente. Bélgica, não é a Índia.

  4. No meu ponto de vista qualquer compra de equipamento militar deve primeiro atender aos critérios técnicos e depois se discute valores e muito depois, mesmo depois de decidido mas não divulgado o vencedor, se negocia os off-set. Em alguns lugares se faz o oposto. A Bélgica é muito ligada economicamente a França, e qualquer decisão deve ser tomada com muito cuidado. O Rafale pode se dar bem, mas a Bélgica deve entender os valores. Não adianta oagar 150.000.000,00 por unidade e receber treinamento em Dassault Catia como transferêncai de tecnologia. Para muita gente nos trópicos, isso já vale a pena, além de pixulecos, mas para Bélgica, deve contar algo mais tangível, algo que os belgas possam tocar kkkkkkk.

    • Não há no mundo um exército, no caso uma força aérea, que só leve em consideração critérios técnicos, ou que seja somente e primeiramente estes atendidos. É um conjunto de fatores, com pesos muito parecidos.

      É claro que o equipamento deve funcionar, atender minimamente os critérios técnicos estabelecidos, os chamados ROB, mas o critério político e econômico não são secundários e/ou terciários. Exemplo mais claro disso é os EUA. O que não falta é concurso vencido por equipamentos de empresas estrangeiras, mas que acabaram ficando para empresas locais e/ou cancelados.

      • A questão aqui é muito simples: a força aérea belga lançou um RFP para adquirir os caças que precisa. Aspectos técnicos, econômicos e políticos devem ser avaliados dentro do procedimento licitatório. Contudo os franceses não querem se submeter às regras do mesmo e sim negociar por fora tal como fizeram na Índia e no Brasil.

      • Wellington, as licitações americanas colocam sempre o critério técnico em primeiro plano. Foi sempre assim, mas todo fornecedor de equipamento para as Forças americanas deve produzi-las no território americano ou se associar a um fornecedor local. Qual o off-set que a Bélgica poderia dispor no caso da FN Herstal fornecer os SCAR para os US Navy Seals? Complicado, não. Os caras vão atrás do melhor e se este melhor estiver fora de suas fronteiras, eles trazem pra dentro do seu território. Embraer e Sierra Nevada é um exemplo bem próximo. Abraço.

  5. Off topic: hoje caiu o Presidente da Africa do Sul, Jacob Zuma. Motivo? Compra de equipamentos militares. E vcs devm imaginar quem está envolvido, a sim, os santos, imaculados suécos da Saab e os britânicos da Bae System. Aqui, a Zelotes vai cobrar o mesmo custo, mas da FAB e COPAC. https://www.theguardian.com/world/2007/nov/13/ins

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