O Catar assinou um acordo com a BAE Systems para aquisição de 24 caças Eurofighter e apoio relacionado. (Foto: Leonardo)

O governo britânico e a gigante de defesa BAE Systems concordaram com um novo acordo para fornecer ao Catar os jatos Eurofighter Typhoon, apesar dos receios de instabilidade regional. O secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, assinou hoje uma carta de intenção com o Catar, onde está previsto que a BAE Systems forneça 24 jatos Typhoon e apoio avaliados em bilhões de dólares.

O movimento surpreendeu os observadores, já que ocorre apenas três meses depois que o secretário de Relações Internacionais do Reino Unido, Boris Johnson, pediu ao Catar para fazer mais para reprimir o financiamento de grupos militantes.

O rico Estado do Golfo está no centro de uma disputa regional sobre o financiamento do terrorismo, e a Arábia Saudita, o Barein, os Emirados Árabes Unidos e o Egito desde junho impuseram sanções ao Catar, acusando-o de financiar grupos extremistas e se aliarem com o Irã, arqui-inimigo dos estados árabes do Golfo – alegações que Doha negou.

Falando no Catar no domingo, onde se encontrou com o ministro da Defesa do Catar, Khalid Bin Mohammed Al Attiyad, Fallon disse que espera que o acordo “melhore a segurança dentro da região”.

Assinatura do acordo entre os ministros da defesa do Catar e do Reino Unido.

“Este será o primeiro grande contrato de defesa com o Catar, um dos parceiros estratégicos do Reino Unido”, disse Fallon. “Este é um momento importante em nossa relação de defesa e a base para uma cooperação de defesa ainda mais próxima entre os nossos dois países. Esperamos que isso ajude a aumentar a segurança na região para todos os aliados do Golfo”.

É provável que os grupos de direitos humanos fiquem consternados com a mudança, que ocorre à medida que a indústria de defesa do Reino Unido está enfrentando um intenso escrutínio sobre as exportações para a Arábia Saudita e outros estados acusados ??de grandes violações de direitos humanos.

O Reino Unido exportou mais de US$ 6 bilhões para estados autoritários desde as últimas eleições gerais, com um enorme aumento nas exportações de armas para a Arábia Saudita e exportações no valor de US$ 160 milhões para o Catar, onde a oposição política é banida e onde o emir hereditário – atualmente Sheik Tamim bin Hamad Al Thani – possui todo poder executivo e legislativo.

A carta de intenção estratégica assinada por Fallon concorda em lançar as “bases para a intenção do Catar de adquirir 24 avançados caças Eurofighter Typhoon”, de acordo com um comunicado divulgado pelas Forças Armadas do Catar.

Ele disse que o Catar usaria a aeronave para “avançar seus esforços contínuos no combate ao terrorismo e ao extremismo violento na região”.

O Qatar agora se junta ao Kuwait, Omã e Arábia Saudita como operadores do avançado Typhoon no Oriente Médio. O jato foi implantado pela Real Força Aérea Britânica (RAF) no Iraque e a Síria nos últimos anos e também foi implantado durante a intervenção de 2011 na Líbia. A Arábia Saudita opera pelo menos 72 dos jatos, que foram utilizados nos combates no Iêmen em meio a alegações de que contribuíram para vítimas civis em massa.

A BAE Systems provavelmente superou uma oferta rival da empresa francesa Rafale, que já forneceu jatos ao Egito e ao Catar em um acordo que valeria bilhões de dólares. No ano passado, o Kuwait assinou um acordo no valor de mais de US$ 9 bilhões quando comprou 28 jatos Typhoon. Uma fonte de defesa disse que a compra do Catar seria “em um nível similar, talvez um pouco menor”

O acordo é uma grande vitória para a BAE Systems, que produz os jatos. Levou menos de 14 anos para a empresa e seus parceiros europeus entregarem os primeiros 500 jatos do Typhoon, mas as encomendas diminuíram nos últimos anos e a taxa de produção na fábrica da empresa em Preston, Inglaterra, teria sido paralisada.

A ordem também será vista como uma grande vitória para um ministro que tem desejado empurrar as exportações de armas como uma plataforma da estratégia econômica pós-Brexit da Grã-Bretanha.

O programa do jato de combate Typhoon apoiou cerca de 8.600 empregos no Reino Unido, com aproximadamente 1.500 empregos dependentes de oportunidades de exportação, de acordo com a BAE Systems.

No entanto, não está claro exatamente o papel que os jatos vão jogar no arsenal aéreo em expansão do Catar, disse o analista de defesa Justin Bronk.

O Catar já encomendou 24 jatos Rafales, bem como 72 bombardeiros F-15 dos EUA, apesar de terem relativamente poucos pilotos de combate e infra-estrutura limitada.

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13 COMENTÁRIOS

  1. Putz… Rafale, F-15 e agora Typhoon. Os caras torram dinheiro por diversão, só pode!

      • Chega ser vergonhoso um território menor que o menor estado brasileiro ter C17 e o gigantão dos trópicos ter um Boeing arrendado kkkkk
        Quem sabe se algum dia a fab tiver o orçamento da USAF, rola uns tres C17 kkkk

      • 24 Typhoons, recentemente compraram 24 caças da França e 36 dos Estados Unidos. Hã…está mais para quem não pode politicamente (como a Suécia) não vai de Gripen.

  2. Esse Justin Bronk, da Royal United Services Institute, vivendo de pergunta retórica…

  3. Achei que o Catar iria inaugurar a Política dos Boleiros, como forma de diplomacia. Mas manterá a tradição de alianças militares.

    • É a melhor, veja os sauditas, dão umas apunhaladas nos americanos, em seguida agrada os congressistas indo as compras de armas.

  4. "…concordaram com um novo acordo…"

    Ahahahahahaahaha…os executivos da Airbus devem ter se ajoelhado de braços aberto e olhos lacrimejando dando graças a qualquer divindade que possa existir por esta venda!

  5. Mesmo sendo um consórcio, a BAE Systems é responsável pela exportação do Typhoon pra países do Oriente Médio. Então todos os Typhoons da Arábia Saudita, Omã, Kuwait e agora Catar devem sair de território britânico, o que já dá próximo de 120 aeronaves, quase o dobro que a Dassault conseguiu exportar de Rafale.

  6. A matéria não fala se é a versão T2 ou T3. Omã recentemente recebeu a versão T2, Arabia Saudita comprou 72 Typhoon T2 também. Creio que a versão T3 do Typhoon vai minguar porque nem os países que desenvolveram o avião querem em grandes quantidades.

  7. A Força Aérea do Catar é um laboratório de testes de comparações entre essas 3 aeronaves.

  8. Ué, vi na tv a alguns meses palavras como "ultimato ao catar", emfim….
    O capitalismo é uma lastima ahahahahah

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