Su-24_armasDe acordo com a Bloomberg, o presidente russo, Vladimir Putin, está se preparando para ataques aéreos unilaterais contra o EI na Síria, se os EUA rejeitarem sua proposta de unir forças.

PutinDeterminado a reforçar o seu único posto militar no Oriente Médio, Putin está se preparando para lançar ataques aéreos independentes contra o Estado Islâmico no interior da Síria, se os EUA rejeitarem sua proposta de unir forças. Pessoas próximas ao presidente russo, confidenciaram que ele prefere agir sozinho, mas a administração Obama prefere que os ataques sejam coordenados numa ‘aliança’ entre a Rússia, Irã e o exército sírio.

A Diplomacia russa procura evitar o colapso do regime de Bashar al-Assad, um aliado de longa data de Moscou e que está ‘atolado’ numa guerra civil que já dura mais de 4 anos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, voou para Moscou para conversas com Putin, esta semana, seguido pelo presidente turco, Erdogan.

A proposta de Putin é de uma da ação militar conjunta, acompanhada por uma transição política longe de Assad, ou seja, muda não mudando. Os EUA querem a saída de Assad. Essa será a peça central de um dia de viagem de Putin para Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas em 28 de setembro e que poderá incluir uma conversa reservada com o presidente Obama.

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A Rússia está esperando que o bom senso prevaleça e Obama parece estender a mão para Putin“, disse Elena Suponina, analista em Oriente Médio do Instituto de Estudos Estratégicos, e que aconselha o Kremlin. “Putin vai agir de qualquer maneira, independente de qualquer coisa.”

A escalada militar de Putin na Síria nas últimas semanas tem alarmado autoridades norte-americanas que ainda estão indignados com a anexação da Crimeia e apoio russo aos insurgentes na Ucrânia, o que levou as sanções americanas e europeias que impactaram profundamente na economia Rússia.

Os EUA estão dispostos a discutir a coordenação dos ataques para evitar incidentes com aviões russos, mas a América e seus aliados não receberam uma proposta concreta de Moscou e pior, as futuras ações da Rússia parecem não incluir as forças de Assad, disse um funcionário de Washington.

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A Rússia enviou duas dúzias de caças para uma nova pista em Latakia e enviou centenas de militares para a base aérea e um porto próximo, de acordo com imagens de satélite e relatos da mídia em Moscou. O Kremlin informou na semana passada que a Rússia pode iniciar operações de combate, se o governo de Damasco solicitar ajuda.

Qualquer intervenção armada por parte da Rússia será coordenado com o Irã, principal aliado da Síria, e do governo de Assad, disse o assessor do Ministério da Defesa.

O Kremlin já elaborou um pedido para a câmara alta do parlamento para aprovar o envio de 2000 militates da VKS (Forças Aeroespaciais) para a Síria, mas ainda tem que apresentá-lo formalmente. Putin se mostrou frustrado com a reticência dos Estados Unidos para responder às suas propostas e está pronto para agir sozinho se necessário.

Putin, que chegou ao poder combatendo os separatistas islâmicos no Cáucaso em 1999, e tem razão para temer a ascensão de jihadistas na Síria. Seus números incluem cerca de 2 400 jihadistas fluentes em russo, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores em Moscou, aumentando a ameaça de ataques dentro da Rússia.

Estima-se que os ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA tenham retomado 30% das áreas controladas pelo Estado Islâmico. Ainda assim, o grupo mantém o controle de cerca de metade da Síria e províncias chave no vizinho Iraque.

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, disse que os EUA se tornaram mais “receptivos” a posição de Moscou. Os EUA tem se equilibrado em sua política para a Síria: que Assad deve deixar o cargo imediatamente e que não vai negociar com seu governo, de acordo com comentários feitos pelo Secretário de Estado John Kerry.

A Rússia está reformando e ampliando a pista da base aérea em Latakia.
A Rússia está reformando e ampliando a pista da base aérea em Latakia.

No dia seguinte, os EUA e chefes de defesa da Rússia mantiveram conversações diretas pela primeira vez desde o conflito na Ucrânia. Eles concordaram em continuar a dialogar para prevenir eventuais conflitos entre as suas forças na Síria.

A Arábia Saudita, que está apoiando os rebeldes sírios, está pronta para aceitar a proposta russa de que Assad deve permanecer como presidente durante o período transitório.

Para o general (aposentado) saudita, Anwar Eshki, o envolvimento da Rússia na Síria vai ajudar a trazer estabilidade à região e reforçar as chances de derrotar o Estado Islâmico. A oposição síria deve “colocar sua mão na mão da Rússia“, disse ele.


FONTE: Bloomberg, com informações de Kuryer, direto de Ulyanovsk, na Rússia

Tradução e Edição: CAVOK

 


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105 COMENTÁRIOS

  1. Tens uns videos rodando a net de tropas russas em combate na Síria, são tão poucos soldados e veículos que acho que são apenas unidades de defesa da base.

  2. Agora é comprar pipoca e refri, sentar na frente do notebook e aguardar os vídeos do massacre que o EI vai sofrer, vão tomar bomba até de onde não se imagina, vão virar alvo de todo tipo de tecnologia, a fim de testá-la em combate real, enfim, vão servir pra alguma coisa.

  3. Ainda na linha do que o Vader afirmou, ainda é cedo para saber se os russos vão colocar a cara a tapa com suas forças terrestres. Contudo, se o fizerem, correm o sério risco de cair em uma cilada pois podem acabar engolfados em uma guerra assimétrica e de desgaste com os jihadistas, o que terminaria por enfraquecer a sua posição

  4. Parabéns a todos pelos comentários, falaram tudo !!

    Tireless, como eu disse la, a intervenção russa deve ser apenas aérea, e se tiver elementos terrestres, será localizada, com alguns batalhoes de elite. Justamente, Putin nao tem nada a ganhar torrando trilhoes de dolares num novo Afeganistao, essa guerra é dos sírios, a Russia apenas ajudará seu aliado.

    O que, claro, pode ser decisivo para fazer o ISIS retroceder.

    Mais uma jogada de Mestre de Putin !!

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