Um caças Mirage 2000-5DI da Força Aérea de Taiwan decola de uma porção de rodovia durante operação de treinamento.

Os caças Dassault Mirage 2000 comprados da França por Taiwan têm tido um desempenho soberbo e o país não tem planos de descomissioná-los antes do cronograma, disse o ministro da Defesa Nacional, Lee Hsi-ming, na segunda-feira.

O Apple Daily, um jornal local, relatou que 19 anos se passaram desde que Taiwan começou a receber os caças Mirage 2000 em 1997.

Taiwan pediu à França que atualizasse o desempenho dos 56 caças Mirage 2000 desde 2012, mas Paris vem adiando uma posição e até deu um preço “exorbitante”, o que resultou no fato de o ministério não aceitar o acordo.

Há preocupações de que, se as peças e os componentes dos caças não estarem disponíveis, a Força Aérea de Taiwan poderia tirar eles de operação antes do prazo estipulado, segundo o relatório.

Um Dassault Mirage-5EI da Força Aérea de Taiwan.

Lee rejeitou, na segunda-feira, esse relatório no Comitê de Defesa Estrangeira e Nacional do Legislativo. “Os caças Mirage 2000 têm desempenho excelente”, disse ele, acrescentando que a Força Aérea de Taiwan está fazendo esforços para manter esse desempenho.

Sobre o fornecimento de peças e componentes da França, ele disse que não tinha grandes problemas.

A Força Aérea de Taiwan, entretanto, pediu ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung Shan que ajude a prolongar a vida dos mísseis MICA instalados nos caças Mirage 2000, disse Lee, acrescentando que o instituto é capaz de fazê-lo.

Lee, no entanto, reconheceu que a entrega e o preço de peças e materiais necessários para a manutenção dos caças Mirage 2000 estão, de fato, mais altos do que outros dois tipos de aeronaves – os caças de defesa IDF (Indigenous Defense Fighters) AIDC F-CK-1 Ching-kuo e os F-16 – na Força Aérea.

Mas a Força Aérea de Taiwan vem conseguindo manter o Mirage 2000 em um nível adequado, conforme exigido pelo Ministério da Defesa Nacional, disse ele.

O Apple Daily também informou que um caça é geralmente projetado para ser usado por 30 anos, mas 15 anos depois que ele sai da linha de produção, ele terá que ser atualizado para manter seu desempenho e para garantir a segurança de voo. Se não houver atualização, o tempo de vida é de cerca de 20 anos.

Um Mirage 2000-5EI voa em formação com um IDF AIDC F-CK-1.

O relatório disse que Taiwan melhorou seus outros caças. O IDF A/B foi atualizado para C/D, enquanto a atualização do F-16 A/B para a versão F-16V começará no início do próximo ano.

Fonte: Central News Agency

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12 COMENTÁRIOS

  1. Se a França começar com frescura… fecha um contrato de modernização com a HAL e despachem eles para a Índia, que tal?

  2. O Mirage 2000 durante muito tempo, e em especial na variante 2000-5, foi o caça com melhor relação custo-benefício do mercado. Foi um erro de proporções monumentais da Dassault tê-lo tirado de linha em favor do Le Jaquê…

    • O M2000 estaria até hoje competindo com o F-16, se não fosse pelo Rafale…

      • Não digo que a culpa seja do Rafale e sim da própria Dassault, que descontinuou a produção Mirage e deixou TODOS os operadores desamparados em prol da aeronave top de linha da empresa.

        Tudo bem, vá lá que não quisessem continuar a produzir o avião, direito deles fazer isso, mas promover um boicote tácito? Pra mim é isso que parece, pois os upgrades são proibitivos, custo de peças/apoio de fábrica são estratosféricos e eles simplesmente dão de ombros.

        Vai entender esses comedores de lesma…

  3. Uma pena o programa Mirage 2000 ter sido interrompido, uma aeronave muito boa mas que com a falta de noção da Dassault em querer empurrar o Rafale acabou caindo no esquecimento e agora os seus operadores começam a reclamar da falta de um suporte descente.

    O maior competidor do F-16 durante muitos anos o Mirage 2000-5 poderia ter conseguido mais e mais contratos com nações que já utilizavam os antecessores da aeronave francesa mas infelizmente o que acabamos vendo posso até chamar de descaso porque o projeto foi praticamente "abandonado". A reclamação dos preços para modernizar as aeronaves é uma reclamação constante dos operadores do Mirage 2000, os custos são exorbitantes e a Dassault acaba perdendo a chance de manter contratos de logística e suporte, o que me deixa preocupado é que ninguém fala para os executivos que isso só faz a empresa perder pontos no mercado?

    Os EAU tentaram durante anos passar para a frente os seus Mirage 2000-9 que são considerados os mais modernos por terem equipamentos destinados ao Rafale, mas a procura por possíveis compradores foi pequena e decidiram manter a frota. Com a ideia de apoiar o caro e complexo Rafale a Dassault só abriu portas para que a Lockheed Martin conseguisse mais e mais contratos para o seu F-16 que vem sendo atualizado constantemente e tem pacotes de modernização feitos ´por várias empresas o que dá a chance de escolha por parte dos usuários do caça norte-americano.

    Outro ponto é que, já repararam que alguns operadores utilizam a combinação Mirage-2000/F-16?,não são muitos mas isso é de se estranhar porque são aeronaves equivalentes (não estou dizendo que a forma de emprego pelo usuário seja igual), outro ponto é que hoje o Gripen pegou também esta fatia do mercado de monomotores e que vai conseguir mais contratos nos próximos anos.

    Sem contar que os franceses não autorizaram aquela produção sob licença do delta para a Índia!

    É Dassault eu acho que a decisão de finalizar a produção do Mirage 2000 foi equivocada.

  4. A Dassault não tem mais um volume de produção comparável ao dos anos 1960/1970 e mesmo assim mantém quase inalterada a sua política de não oferecer upgrades importantes, gerais, comparáveis aos de outros fabricantes — supostamente com o intuito de vender um avião totalmente novo ao mesmo cliente, num futuro estimado. Uma política arriscada, que não funcionou com a Índia — país que há cinco anos forçou a assinatura de um retrofit de fábrica nos M2000H/TH, mesmo pagando caríssimo por isso, mostrando que resistiu em comprar os Rafale F1, oferecidos anos antes, publicamente, assim como os novos Rafale — da MMRCA que não andou como o esperado.

    E é visível que a Direction Générale de l'armement (DGA) e a Dassault não projetaram bem a longevidade do M2000, pois a empresa aeronáutica recebeu muito dinheiro do governo francês para desenvolver o Rafale e desde 1998 tem tentado forçar a entrada desse no mercado, mesmo convivendo em franca desvantagem de preço com o então -5 Mk2 (o preferido da época, que ela tentou emplacar em várias concorrências)…

  5. Taiwan opera mais de 100 F-16, mais de 100 FCK1, 47 Mirage 2000-5, logo não é uma Força aérea morta.
    .
    Ótima matéria!

    • Esse jato parece uma mistura interessante de Hornet com Fighting Falcon!

      • É isso mesmo, nobre Ufric. O FCK1 é uma aeronave de qualidade e foi projetada e desenvolvida pela AIDC (Aerospace Industrial Development Corporation) , em cooperação com a General Dynamics o que já atesta a sua qualidade. Usaram soluções bem convencionais para produzir um caça de 4ª geração, é uma forma inteligente de compensar o risco de um projeto novo. O FCK1 possui uma capacidade de carga de 4.080kg de mísseis, bombas e tanques externos, que são transportados em 8 pontos fixos (6 nas asas e 2 na sessão ventral). Um dos pré-requisitos do programa IDF (Indigenous Defence Fighter) era o desenvolvimento local de armamentos eficazes para o FCK1, esta requisição foi eficientemente e completada com a ajuda americana no desenvolvimento dos mísseis WVR Tien Chien I, com um alcance máximo de 15km (equivalente ao AIM-9) e do BVR Tien Chien II com um alcance máximo de 60km, não é pouca coisa não, dando uma excelente capacidade de combate nos cenários de curto e médio alcance ao FCK1. Pena que não entraram na competição do FX-2. E também, devagarinho e com discrição já foram construídos 130 aeronaves e tem gente que se papagaia com nem metade disso. Saudações. 😉

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