A Força Aérea dos EUA não está bem estruturada para executar a Estratégia de Defesa Nacional e, para impedir uma grande guerra, deve adicionar mais aeronaves furtivas, expandir o uso de sistemas não tripulados, acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias e aprender a operar em locais mais dispersos, de acordo com um novo relatório do Centro de Avaliações Estratégicas e Orçamentárias (Center for Strategic and Budgetary Assessments – CSBA).

Atualmente, a USAF está dimensionada para combater uma guerra de cada vez, de acordo com o estudo, “Cinco Prioridades para o Futuro da Força de Combate da Força Aérea”, publicado no dia 22 de janeiro. “Essa situação poderia encorajar um inimigo a escolher o teatro e o melhor momento para agir, prejudicando a dissuasão“, afirmam os autores.

O relatório, de 75 páginas, escrito por Mark Gunzinger, Carl Rehberg e Lukas Autenreid, baseia-se em um estudo anterior da CSBA que avaliou e ofereceu recomendações sobre como a USAF deve investir e se moldar para realizar a NDS (National Defense Strategy – Estratégia de Defesa Nacional).

A USAF está baseada em cima dos principais sistemas de armas CAF (Combat Air Forces – Forças Aéreas de Combate) que foram, em muitos casos, projetados e entregues durante a Guerra Fria, mas não são ideais para o atual mundo político multipolar“, afirmam os autores. .

Eles ofereceram cinco recomendações que poderiam “fechar a lacuna” entre o que a USAF tem e o que o NDS de 2018 exige;

Primeiro, a CAF deve ser “dimensionada para grandes conflitos de poder“. Impedir que a Rússia ou a China seja bem-sucedida com grandes atos de agressão “deve ser uma prioridade fundamental do projeto da força“, afirmou o CSBA. Dimensionar e moldar a USAF para poder lidar com uma segunda guerra “reduziria o risco” de um agressor tirar vantagem dos EUA serem all-in em um conflito.

Uma CAF de duas guerras também deve ter maior capacidade de atingir grandes conjuntos de alvos em longas distâncias e em áreas contestadas”. Mais bombardeiros, por exemplo, “ajudariam a negar áreas operacionais seguras da China, Rússia e outros agressores“.

Segundo, “aeronaves furtivas são ‘um requisito’ para operar em áreas altamente contestadas, e a Força Aérea dos EUA não tem o suficiente“, argumentou o relatório da CSBA. Ele sugere que a USAF “acelere” a compra de F-35, B-21 e novos tipos, como aeronave não-tripulada de Penetrating Counterair/Penetrating Electronic Attack (PCA/PEA), capaz de ludibriar profundamente sistemas de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Os autores também pediram que a Força Aérea avance com a atualização do sistema de gerenciamento defensivo dos poucos bombardeiros B-2 e mantenha o avião, em vez de retirá-lo de serviço no início da década de 2030, como está planejado. No mínimo, o B-2 deve ser mantido em serviço até que “um número significativo de bombardeiros B-21 se torne operacional” e como uma proteção contra uma falha no programa B-21. Os autores também pediram que a USAF a continue melhorando a capacidade de sobrevivência do F-22 e adquira armas da próxima geração, incluindo uma família de armas hipersônicas, que poderiam aumentar significativamente a letalidade da USAF.

Terceiro, “a USAF precisa expandir sua capacidade de operar a distâncias maiores da base e distâncias maiores da área alvo“, disseram os autores. Isso significa aeronaves de longo alcance, bem como a capacidade de dispersar a CAF entre muitos locais para complicar a capacidade do inimigo de atingir a Força Aérea no solo.

Para negar a Rússia ou a China “um fato consumado”, alcançando seus objetivos antes que a USAF possa entrar em combate, ela “deve ser capaz de lançar ataques a partir de bases localizadas em áreas com menor risco de serem atacadas com mísseis num ataque ou contra-ataque.

Os autores acrescentaram que essas “não são opções” de um ou outro. Ambas as abordagens serão necessárias para ajudar a força a sobreviver e operar. Um outro dado é o aumento na capacidade da defesa das bases contra ataques aéreos e de mísseis em larga escala. Para os autores a USAF deveria atrair mais pessoas para a proteção das bases. No entanto, recentemente o Pentágono designou o Exército como ‘Agente Executivo’ para defesa aérea de curto alcance.

Quarto, os autores disseram que a USAF deveria expandir amplamente o número e o tipo de missões que são conduzidas por aeronaves pilotadas remotamente (remotely piloted aircraft – RPA) ou aeronaves autônomas. Observando as tendências e os planos que sugerem que a Força Aérea de 2030 dificilmente será maior que a Força Aérea de 2020, o relatório sugere recorrer aos RPAs para “reduzir o risco de déficit” de capacidade. O mix deve incluir mais Reapers MQ-9A, que já estão voando, sistemas não tripulados “de baixo custo” e aeronaves retiradas de serviço que podem se unir a aeronaves tripuladas para missões que incluem “contra-ataque, vigilância de área de afastamento de longo alcance, ataques, guerra eletrônica” e outras operações de combate”, bem como ISR (intelligence surveillance reconnaissance – inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento) e ataque leve.

Por fim, o relatório da CSBA instou a Força Aérea a acelerar a próxima geração de armas, particularmente os “multiplicadores de força”. Entre eles, armas hipersônicas; mísseis de cruzeiro com micro-ondas de alta potência ou cargas úteis contra-eletrônicas capazes de atacar muitos alvos com uma única arma; motores aprimorados, menor consumo de combustível, que ampliarão o alcance ou a resistência da missão da aeronave; e novos links de dados para dar suporte a operações de vários domínios nas áreas contestadas.

Além disso, a substituição de sistemas ISR de grande porte como o E-3 AWACS e o E-8 JSTARS por arquiteturas de comando e controle de gerenciamento de batalha em todos os domínios “aumentaria a eficácia e a resiliência de toda a força conjunta em operações futuras“.


FONTE: Air Force Magazine.

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Mais furtiva sim, maior creio que não, de 2018 para 2019 o número de aeronaves totais das FAs americanas diminuíram..
    Com a qualidade sendo adicionada, a tendência é a quantidade diminuir na maioria das Forças Aéreas..

    • Provavelmente esse "maior" seja em referência ao aumento da capacidade, poder operacional etc.
      É sabido que a tendência é racionalização dos meios e troca de quantidade por qualidade, na maioria dos casos aumentando a capacidade.
      São detalhes específicos de determinado assunto que quando não observados perdem o sentido em uma tradução livre..

  2. Claro… só falta alinhar isso lá com o Tesouro que está tudo certo…
    Os EUA podem ser o país mais rico do planeta, porém o seu dinheiro não é infinito.
    Acho que muitos estrategistas americanos esqueceram que eles não podem mais contar com aquele orçamento sem teto da Guerra Fria.
    Acelerar a compra de F-35? Opa…. fácil fácil… só falta alinhar com a L.M. corrigir as falhas no vapt vupt que aí os pedidos aumentam mesmo!
    No futuro vejo uma USAF muito capaz e altamente moderna, porém é fato que os seus "potenciais" inimigos encurtaram um pouco a absurda diferença que havia entre a USAF e as outras forças aéreas. Porém ela ainda está na vanguarda e com muita folga.

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